O Comitê Guandu-RJ entra em 2026 disposto a consolidar um conjunto de ações estratégicas que reforçam a gestão dos recursos hídricos da Região Hidrográfica II (RH II). O planejamento, de acordo com a Programação Anual de Atividades e Desembolso (PAAD), prevê a aplicação de aproximadamente R$ 108 milhões ao longo do novo ano, distribuídos em diferentes agendas que abrangem desde instrumentos de gestão até saneamento, conservação ambiental e fortalecimento institucional. A meta é implementar e dar continuidade a mais de 50 ações voltadas aos 15 municípios da RH II.
O ano marca também o início da atuação dos membros que farão parte do Comitê Guandu para o triênio fev/2026 a fev/2029, escolhidos por meio de processo eleitoral no fim de 2025. Agora, eles têm até as 13h30 do dia 24 de fevereiro para compor e inscrever chapas para a eleição que definirá a Diretoria Colegiada do Comitê. As chapas devem ser compostas por seis membros, dois de cada segmento (Sociedade Civil; Usuários de Água; e órgãos de Governo, a) A posse dos novos membros da Plenária e a eleição da Diretoria Colegiada acontecerá na 1ª Reunião Plenária de 2026, prevista para 26 de fevereiro, às 13h30.
À frente da secretaria-executiva do Fórum Fluminense de Comitês de Bacias Hidrográficas (FFCBH), o Comitê Guandu também tem como desafio para 2026, a organização e realização do Encontro Estadual de Comitês de Bacias Hidrográficas (ECOB), que será realizado no mês de abril, em Miguel Pereira, com o tema “Turismo Sustentável de Base Comunitária como Instrumento de Regeneração Ambiental”. O evento que reunirá todos os comitês do estado do Rio de Janeiro com o objetivo de promover o diálogo entre os nove comitês fluminenses e debater a gestão compartilhada da água.
O ECOB marcará também as comemorações de 24 anos do Comitê Guandu, sendo uma oportunidade para compartilhar suas iniciativas em prol de uma das regiões mais importantes do estado para a produção de água e desenvolvimento econômico e sustentável.
Ampliação do PAF
A infraestrutura verde segue como uma das maiores frentes de investimento do Comitê Guandu para 2026. Entre as ações aprovadas estão a ampliação das ações de restauração florestal, com destaque para o Programa Produtores de Água e Floresta (PAF), que atende propriedades, com pagamentos por serviços ambientais, assistência técnica e monitoramento, focando ainda mais na conversão produtiva.
Paralelamente, o PAF entra em um novo ciclo. Baseado no aprendizado de anos anteriores e nas demandas identificadas nos Planos Municipais da Mata Atlântica (PMMAs) e no Plano Diretor Florestal (entregues em 2023 pelo programa Integra Guandu), o PAF deixa de ser um conjunto de projetos-piloto para se tornar uma verdadeira política regional de infraestrutura verde.
A grande inovação deste ciclo é a mudança de filosofia: os municípios deixam de ser apenas beneficiários para se tornarem protagonistas. O programa foi desenhado com um plano de transição gradual, que levará capacitação e estrutura para as equipes técnicas municipais assumirem a gestão dessas ações em seus territórios, construindo autonomia e capacidade local a longo prazo.
Entre outras ações estão a elaboração de planos de manejo de unidades de conservação, incluindo áreas estaduais; estudos técnicos para criação de novas unidades de conservação; além de apoio a projetos de infraestrutura verde e implementação dos Planos Municipais de Mata Atlântica, com previsão de cerca de R$ 6,8 milhões, em parceria com universidades, órgãos estaduais e municípios.
Trabalho constante pela segurança hídrica
Na área de saneamento, o programa Sanear Guandu continua como um carro-chefe em 2026, com previsão de investimento de cerca de R$ 41 milhões, ampliando o atendimento a localidades rurais e periurbanas ainda não contempladas com soluções individuais e possibilitando novos chamamentos.
Ainda nesta vertente, a elaboração e gerenciamento dos Planos Municipais de Saneamento Básico, com apoio técnico aos municípios, é outra meta, assim como a execução de ações previstas também no Sanear – Resíduos Sólidos, que prevê projetos de elaboração ou atualização de Planos Integrais de Encerramento dos lixões da RH II para avançar na remediação de áreas contaminadas.
Para 2026 está reafirmada a continuidade da elaboração do novo Plano de Contingência para o Abastecimento de Água do Guandu (PCAA – Guandu) , que incorpora, além dos riscos antrópicos, eventos climáticos extremos, como secas e cheias. O plano já se encontra em estágio avançado, com produtos em elaboração e acompanhamento do Grupo de Trabalho de Segurança Hídrica, e tem previsão de conclusão ao longo deste ano.
Outro destaque para este ano é o avanço no enquadramento dos corpos hídricos da bacia do Guandu. Já foi aprovada a contratação de uma consultoria técnica especializada para elaborar propostas de enquadramento de todos os trechos da bacia, com base em estudos detalhados de usos da água e cenários ambientais. O processo contará com consultas e audiências públicas, garantindo ampla participação da sociedade, inclusive de regiões fora da bacia, considerando que o Guandu abastece a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A ação conta com recursos já aprovados.
Também estão previstas pesquisas voltadas à proteção e melhoria da qualidade da água da Lagoa do Guandu. A PAAD mantém e amplia ações de pesquisa previstas no MOP, priorizando parcerias com universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro, por meio de um arranjo institucional com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). O modelo permitirá a publicação de editais de pesquisa com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos do Rio de Janeiro (FUNDRHI) , fomentando estudos aplicados na própria RH II, com avaliação técnica independente e qualificada.
Também está no radar do Colegiado para este ano avanço do projeto Observatório da Bacia, que prevê a implementação das estações de monitoramento, com atualização dos valores estimados e contratação de empresa gerenciadora para apoiar a execução de um sistema com cerca de 80 estações, em sua maioria automáticas.
Mobilização e educação ambiental
Dentro da PAAD 2026 estão assegurados recursos para ações contínuas de comunicação e mobilização social, com foco em educação ambiental, incluindo projetos como Amigos do Guandu, que neste ano está previsto para acontecer no município de Engenheiro Paulo de Frontin. Também estará de volta a campanha Fiscal das Queimadas, que será reforçada em 2026 por outras ações do Plano Associativo de Combate às Queimadas e Incêndios Florestais do Comitê.
A meta para este ano é contratar uma instituição especializada para elaborar Planos Municipais de Manejo Integrado do Fogo (MIF) para todos os municípios da bacia. A nova abordagem será descentralizada e participativa, focando não apenas no combate, mas na prevenção, com sistemas modernos de monitoramento e alerta, além do fortalecimento contínuo das brigadas locais.
Entre outras iniciativas estipuladas para 2026 está a conclusão do Plano de Educação Ambiental da Bacia (PEA), com revisão, impressão dos materiais dos ProMeas e desenvolvimento de projetos educativos; e a produção de um documentário institucional sobre a bacia do Guandu, como ferramenta de conscientização ambiental.



