O Programa Produtores de Água e Floresta (PAF) vem incentivando a produção de café associada à conservação ambiental e aos Sistemas Agroflorestais (SAFs) em municípios do Vale do Café fluminense, como Vassouras, Miguel Pereira, Mendes, Engenheiro Paulo de Frontin e Rio Claro. Atualmente, cerca de 10 propriedades participantes do programa cultivam café, a maioria com foco na produção comercial, conciliando geração de renda, recuperação ambiental e manejo sustentável da terra.
Em uma região que já foi conhecida nacionalmente pela força da produção cafeeira, o cultivo do café segue presente na paisagem, agora ressignificado por práticas que integram produção agrícola, conservação do solo, proteção das águas e restauração da Mata Atlântica.
Um exemplo é o produtor Sakae Kahohara, de Engenheiro Paulo de Frontin, que se tornou uma referência dentro do programa pelas experiências implementando o Sistema Agroflorestal em sua propriedade.
“Quando eu vim pra cá eu esperava encontrar café aqui, mas era só o nome (Vale do Café), mas não tinha café nas propriedades. […] E aí pra produzir café melhor, comecei a fazer experimentos de produção de café com Sistemas Agroflorestais. Esse espaço aqui é onde eu comecei a produzir café de forma experimental 6 anos atrás. Mas como minha área é pequena para produção de café comercialmente, não teria muita vantagem. Então, para ter um resultado melhor, eu pensei em produzir cafés especiais para agregar valor e usei o SAF para ter café de mais qualidade.”, disse.
Outro exemplo é o proprietário do Sítio Santa Terezinha das Rosas, José Clidenor da Silva, que também implementou o SAF na sua produção de café, gerando uma renda que torna sua propriedade mais autônoma.
“Nós conseguimos unir a minha pós-aposentadoria à uma propriedade que consiga se pagar, seja autônoma. E o café foi essa experiência para nós. Ainda estamos aprendendo, participando de grupos aqui em Engenheiro Paulo de Frontin, trocando ideias e experiências com outros proprietários, E agora, temos o PAF, que tem contribuído muito com a gente, sendo um divisor de águas nesse processo. Não é só uma questão de subsidiar custos, mas subsidiar conhecimentos. E isso é o que mais agrega valor para a gente!”, disse.
Dentro desse contexto, as visitas técnicas realizadas pela equipe do programa ajudam a acompanhar o período da colheita, entender as demandas dos produtores e identificar possibilidades que possam fortalecer o manejo e facilitar a rotina no campo.
Além do acompanhamento técnico, os encontros também se tornam espaços de troca, escuta e construção coletiva entre equipe e produtores rurais.
Segundo a técnica do programa, Mariana Ribeiro, o acompanhamento durante o período da colheita também é uma forma de entender as necessidades dos produtores nesse momento da produção.
“As visitas agora no período de colheita de café são direcionadas pro acompanhamento dessa atividade, para sanar as dúvidas dos proprietários e também pra gente ter essa visão do que pode ser melhorado, e o que pode beneficiar também esse momento da colheita já que o cafezal que está frutificando agora foi plantado anteriormente, então essas mudas não foram compradas com apoio financeiro do projeto. O que a gente pode fazer é destinar insumos que possam facilitar o dia a dia da colheita para os proprietários.”, disse
As visitas também reforçam como o café segue conectado à identidade histórica da região. Se antes o Vale do Café foi marcado por ciclos produtivos que contribuíram para o desmatamento da Mata Atlântica, hoje produtores participantes do PAF vêm construindo outros caminhos possíveis, conciliando produção agrícola, conservação do solo e recuperação ambiental através dos Sistemas Agroflorestais.
Atualmente, o programa conta com 10 propriedades com produção de café vinculada às práticas apoiadas pelo PAF.
O Programa Produtores de Água e Floresta é uma iniciativa do Comitê Guandu, realizada pela AGEVAP, com recursos da cobrança pelo uso da água na RH II. O PAF atua na Região Hidrográfica II, nas cidades de Vassouras, Miguel Pereira, Mendes, Eng. Paulo de Frontin e Rio Claro, protegendo nascentes e criando uma rede de apoio entre os proprietários participantes e a equipe técnica do programa.
Para acompanhar e tirar dúvidas, acesse o Instagram do programa @paf_aguaefloresta.











