No mês em que se celebra o Dia Mundial da Água, em 22 de março, uma iniciativa do Comitê Guandu-RJ se destaca pelos resultados concretos na proteção dos recursos hídricos e na transformação da realidade de milhares de pessoas. Lançado em dezembro de 2021 pelo Colegiado, o Programa Sanear Guandu nasceu com a missão de levar esgotamento sanitário a áreas rurais e periurbanas historicamente à margem das redes convencionais, ao mesmo tempo em que atua na preservação dos mananciais que abastecem milhões de moradores no estado do Rio de Janeiro. Mais de quatro anos depois, o que começou como um projeto desafiador se consolida como uma das maiores iniciativas do país no setor, reunindo avanços expressivos, investimentos robustos e um papel cada vez mais estratégico na agenda ambiental.

O sucesso garantiu a ampliação na Região Hidrográfica II (RH II), com uma nova fase lançada em 2025, se tornando mais um exemplo de integração pela segurança hídrica de uma das regiões mais importantes do estado do Rio de Janeiro, que abastece cerca de 9 milhões de pessoas. A nova fase prevê investimentos superiores a R$ 56 milhões e a implantação de mais de 6,3 mil soluções individuais de esgotamento sanitário nos municípios da bacia.

Com foco na proteção dos recursos hídricos e na promoção da saúde pública, os números do programa já demonstram impactos expressivos. Só com o Sanear Gaundu I, cujas obras foram iniciadas em 2022, já são mais de 6 mil domicílios atendidos, alcançando cerca de 27 mil pessoas em 12 municípios dos 15 que fazem parte da RH II. Além de soluções individuais e módulos alternativos de tratamento, como biodigestores e círculos de bananeiras, foram implantados mais de 5,5 mil metros de rede coletora e entrou em operação uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). As intervenções permitiram a redução de mais de 3,3 milhões de litros de esgoto por dia despejados sem tratamento no meio ambiente.

O Sanear está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6, Água e Saneamento; o 11, Cidades e Comunidades Sustentáveis; o 3, Saúde e Bem-Estar; e o 10, Redução das Desigualdades, reforçando o compromisso com o caminho proposto para a efetivação da Agenda 2030

Com as obras do Sanear Guandu II, a expectativa é de que 75 localidades sejam atendidas, alcançando 11 mil novos domicílios em sete municípios. Até dezembro de 2025, a fase II já havia atendido 3.840 pessoas, com a instalação de 960 soluções individuais nos municípios de Engenheiro Paulo de Frontin, Miguel Pereira, Queimados, Rio Claro e Vassouras, com desembolso de R$ 6,47 milhões. Para 2026, a expectativa é beneficiar cerca de 5 mil novos domicílios, acompanhando o avanço das obras dos três lotes contratados, incluindo também Nova Iguaçu e Japeri.

Paralelamente às obras, o programa mantém forte atuação em mobilização social, com ações porta a porta para informar moradores sobre os benefícios do saneamento e garantir a adesão voluntária às soluções, que são instaladas gratuitamente e acompanhadas de orientações de manutenção.

Moradora da localidade Lagoa das Lontras, em Miguel Pereira, uma das atendidas pelo Sanear, a enfermeira e nutricionista Tatiane Andrade Brasil da Silva ajudou na mobilização da comunidade.

“A implementação do biodigestor no bairro Lagoa das Lontras representa um avanço muito importante para a nossa comunidade. Como profissional da saúde, acredito que um ambiente limpo e equilibrado reflete diretamente na qualidade de vida das pessoas. É gratificante fazer parte e apoiar ações que promovem sustentabilidade, consciência ambiental e um futuro melhor para todos”, ressaltou Tatiane.

Ao visitar as obras do Sanear na localidade da Lagoa das Lontras, o prefeito de Miguel Pereira, Pedro Paulo Quinzinho, reforçou a importância da parceria com o Comitê Guandu e a AGEVAP para a coleta e tratamento de esgoto gerado pelas residências da zona rural e na preservação dos mananciais.

“Nós já fizemos parte da primeira fase do Sanear Guandu e agora estamos na segunda etapa. É mais uma parceria do Comitê Guandu e a AGEVAP com o município de Miguel Pereira. Isso é muito importante, porque dessa forma os dejetos não vão direto para os rios e lagos, e a gente preserva a natureza, essencial ao nosso futuro e dos nossos filhos”, disse o prefeito.