Celebrado nesta quarta-feira, 27 de maio, o Dia Nacional da Mata Atlântica reforça a importância da preservação de um dos biomas mais ameaçados do país e essencial para a segurança hídrica, o equilíbrio climático e a biodiversidade. Na Região Hidrográfica II (RH II), onde a Mata Atlântica ocupa cerca de 45% do território e contribui diretamente para o abastecimento de quase 9 milhões de pessoas, o Comitê Guandu-RJ vem consolidando uma série de ações voltadas à restauração florestal, conservação ambiental e prevenção aos incêndios florestais.
Entre os principais destaques está o avanço do Programa Produtores de Água e Floresta (PAF), uma das iniciativas mais tradicionais do Comitê Guandu e que agora entrará em uma nova fase, marcada pelo fortalecimento do protagonismo dos municípios nas políticas de recuperação ambiental.
Criado há 17 anos, o programa passa por uma ampliação estrutural, deixando de atuar apenas em projetos pontuais para consolidar uma política regional de infraestrutura verde. A proposta é apoiar os municípios na criação e fortalecimento de programas próprios de restauração e conservação da Mata Atlântica, ampliando a capacidade técnica e institucional das gestões locais.
Atualmente o PAF acontece em 121 propriedades, prevendo a proteção de aproximadamente 2 mil hectares de áreas preservadas, além da restauração de mais de 400 hectares e da implementação de práticas sustentáveis em áreas produtivas da bacia hidrográfica.
Os novos resultados irão se somar aos avanços já alcançados pelo programa ao longo dos últimos anos. Desde sua criação, o PAF já contribuiu para a conservação de cerca de 5 mil hectares de florestas, o reflorestamento de quase 300 hectares e o sequestro de aproximadamente 85 mil toneladas de carbono, além do pagamento por serviços ambientais a produtores rurais que adotam práticas de conservação do solo e da água.
Além da restauração ambiental, o Comitê Guandu também vem reforçando as ações de prevenção e combate às queimadas, diante do cenário de mudanças climáticas e do aumento do risco de incêndios florestais previsto para 2026, especialmente no Sudeste brasileiro e em áreas de Mata Atlântica.
Neste ano, o Colegiado promoveu a entrega de mais de 5 mil equipamentos destinados a brigadas e instituições ambientais da RH II, em um investimento superior a R$ 3,4 milhões. Entre os materiais distribuídos estão uniformes anti-chamas, capacetes, botas especiais, bombas costais, ferramentas operacionais e equipamentos voltados à atuação das equipes que trabalham diretamente no combate ao fogo.
Os equipamentos foram destinados a municípios da região e também a instituições estratégicas, fortalecendo a atuação integrada entre prefeituras, órgãos ambientais e forças de resposta.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de proteção florestal desenvolvida pelo Comitê Guandu, que também vem investindo em capacitação de brigadistas, campanhas de conscientização e fortalecimento da atuação preventiva nos territórios mais vulneráveis.
Como novidade desta nova etapa, o Comitê dará início à elaboração dos Planos Municipais de Manejo Integrado do Fogo (MIF), que irão estruturar ações permanentes de prevenção, monitoramento e resposta aos incêndios florestais em todos os municípios da bacia hidrográfica.
Os planos irão reunir diagnósticos das áreas de risco, estratégias de monitoramento, fortalecimento das brigadas locais, capacitação técnica e integração regional das ações de combate ao fogo, alinhando as políticas de preservação da Mata Atlântica à proteção dos recursos hídricos.
A proposta reforça uma visão integrada entre conservação ambiental e segurança hídrica, consolidando a Mata Atlântica não apenas como patrimônio natural, mas como elemento fundamental para a qualidade de vida e a resiliência climática da população fluminense.
Educação ambiental e mobilização social
As ações do Comitê também avançam no campo da conscientização ambiental. Desde 2022, a campanha “Fiscal das Queimadas” atua no engajamento da população, orientando sobre prevenção e denunciando práticas ilegais, como a soltura de balões durante o período seco.
Somente no último ano, a campanha alcançou mais de 350 mil pessoas nas redes sociais. Empresas e instituições parceiras recebem o selo “Eu sou fiscal das queimadas” e ajudam a disseminar informações sobre preservação ambiental.
Plantando árvores desde os quatro anos de idade, o morador de Nova Iguaçu, Alexandre Bensabat Filho — conhecido como Xandinho —, hoje com 12 anos, passou a integrar a campanha Fiscal das Queimadas desde 2024. Com milhares de árvores plantadas, o jovem ambientalista entende que preservar a natureza é tão importante quanto reflorestar áreas degradadas. Por isso, abraçou a iniciativa, que contempla os 15 municípios da Região Hidrográfica II (RH II).
Em vídeo divulgado pela campanha, o “Menino que Planta”, como ficou conhecido, faz um alerta sobre os riscos das queimadas durante o período de estiagem e pede o apoio da população na prevenção dos incêndios florestais.
“Eu peço a máxima compreensão de vocês: não soltem balão, não joguem ponta de cigarro no mato, não queimem lixo e não acendam velas em locais de risc. Quando vocês virem algum local com fogo ou acharem que estão querendo colocar fogo, liguem para o órgão competente, para o Corpo de Bombeiros ou para a brigada”, disse Xandinho.
Para se tornar parceiro da campanha entre em contato com o Comitê Guandu pelo e-mail: comunicacao.guandu@agevap.org.br.
Já para denunciar as queimadas, ligue para o 193 ou no Linha Verde, um programa do Disque Denúncia. Os telefones são: 0300 253 1177 (para o interior, a custo de ligação local), 2253 1177 (para a capital), ou por meio do aplicativo para celulares “Disque Denúncia RJ”.







